segunda-feira, 6 de junho de 2016

Inferno



A capa da revista VEJA desta semana é de um milionário brasileiro, dono de uma das maiores construtoras do mundo, e que está há um ano preso suspeito de ter praticado alguns delitos relacionados à corrupção, pagamentos de propina, tráfico de influência enfim, não tenho acesso aos autos, mas basicamente é isso. A minha grande indagação é: até quando valeu a pena?
Esse cidadão está atrás das grades vivendo os últimos 365 dias de sua vida em um quadrado, dividindo sua privacidade com outras pessoas, sem poder usufruir de nada que sua riqueza adquiriu ou possa adquirir. Ele não pode beber uma cerveja com seus amigos, ver um filme na televisão, conversar com seus familiares, administrar sua empresa, levar seus filhos na escola, sair para jantar, jogar um futebol no final de semana, enfim, ele não pode nada.
Até onde valeu a pena se envolver em algo tão grandioso como o que está sendo acusado, se no final nada deu certo, ele acabou atrás das grades, sua família e seu sobrenome foram expostos, sua empresa pode ir a bancarrota e seu negócio que era sinônimo de solidez simplesmente amarga os piores dias deste sua fundação.
A ganância de sempre querer mais dinheiro, a vaidade de ser colaborador e amigo das maiores autoridades do seu País, pode levar a consequências desastrosas e humilhantes como a que esta pessoas está passando agora. Oxalá vivêssemos em um mundo onde donos de empresas de tamanho porte seriam proibidos de ter qualquer tipo de contato ou amizade com pessoas do poder público, não que isso seja ilegal, mas é bastante imoral.
Ah, mas ninguém pode ser proibido de fazer amizades! Tudo bem, mas não posso concordar na existência de ligações tão próximas entre partes tão interessadas como essas. Um dono de uma construtora e um Presidente da República não podem compartilhar o mesmo avião, não pode um contratar ao outro para fazer lobby no exterior, não pode haver esse toma lá dá cá. Fica muito estranho essa relação e as transações sempre irão gozar de dúvidas sobre sua real legalidade e honestidade na concorrência com outras empresas cujos presidentes não gozam de tanto prestígio com a alta corte republicana.
Este Senhor que está preso há um ano não sabe o que é viver desde então. Não é possível que ele pense que valeu a pena se envolver em tantos contratos com o Governo onde pairam inúmeras denúncias de corrupção. Não se pode deixar de dar valor à liberdade, o bem mais precisos que temos após a vida.
Quantos milhões de dólares essa pessoa tem e que agora não lhe serve para nada? Do que adianta amizade com o alto clero da política se agora em que ele está preso ninguém nunca lhe prestou solidariedade? É o mesmo que possuir uma fábrica de gelo no meio da Antártida.
Honestidade não tem preço, caráter não tem preço, liberdade não tem preço. Isso tudo deveria ser levado em consideração por qualquer pessoa antes de assinar um contrato, praticar qualquer ato, ou se envolver com algumas pessoas. Hoje essa pessoa que é capa de uma revista nacional onde sua foto aparece com uma legenda indicando os dias de sua prisão, poderia muito bem sair na capa de uma revista como um dos maiores empresário mundiais.
O engraçado é que essa pessoa teve todo o acesso a tudo desde que nasceu. Se ele for condenado, qual justificativa se dará para ele? A mesma que é dada a um bandido que nasce em uma comunidade? Ou seja, virou delinquente porque foi influenciado pelo meio? Ou foi porque quis mesmo? Por isso que eu falo: a pessoa escolhe o caminho que quer seguir independente da cor da pele e da classe social, pode ser “preto e pobre”, “branco e rico”, “preto e rico” ou “branco e pobre”.
Valeu a pena grande empresário? Valeu a pena expor sua família? Valeu a pena passar um ano na prisão? Valeu a pena ligar o nome da sua empresa a propinas e corrupção? Se você é uma pessoa de caráter, tenho certeza que irá responder que não valeu a pena. Mas a pergunta que eu queria te fazer era a seguinte: vale a pena ajudar a quem te ajudou a ir para o inferno da prisão?

sábado, 23 de abril de 2016

Compartilhar com ou sem limites?


Há algumas semanas atrás eu recebi uma mensagem de um amigo meu sobre uma página no instagram nominada we_have_to_stop a qual ele disse que daria um bom tema para ser escrito aqui. O tema é o uso sem limite e assustador do celular em toda e qualquer situação da vida de uma pessoa. Aposto que muitos que estão lendo este POST agora se encaixam nesta situação (inclusive quem vos escreve).

Afinal qual é o limite para se postar um fato na internet? Tenho certeza absoluta que hoje não há limites, postamos desde o resultado do órgão excretor humano até onde a imaginação conseguir chegar. Somos bombardeados por fatos e fotos inimagináveis que nos causam as mais diversas reações que nos fazem compartilhar, curtir, chorar, sorrir, ser irônico, e a maioria das vezes nos faz ter inveja de não ter sido o autor daquele POST, de estar naquele lugar, comendo aquela comida, com aquela companhia, enfim, qualquer situação que faça aguçar o mais praticado dos pecados capitais.

Existem diversos tipos de usuários dos perfis sociais. O mais comum é aquele que quer apenas dividir o que está acontecendo em sua vida atualmente sem nenhuma maldade, sem nenhum compromisso, sem nenhuma intenção de causar sentimentos negativos em ninguém. Geralmente é aquele que posta fotos da família, dele em um buteco bebendo uma breja, foto do cachorrinho de estimação, foto do prato de comida com arroz, feijão, bife e batata frita entre outras coisas bem inocentes.

Existe o perfil de usuário que gosta de postar o que não é. Posta foto em um carro importado, mas na verdade ele está apenas de carona. Posta fotos de lugares paradisíacos ou nos lugares da moda mas está ali bancado por um amigão seu. Posta foto bebendo whisky 18 anos mas quem banca é o famoso amigão. Um mês atrás eu fui em um aniversário de criança e um amigo da minha esposa definiu uma pessoa que é esse tipo de gente: “A fulana é aquele pessoa que não tem nada na vida mas é amiga do cara que tem carro importado, anda de helicóptero, patrocina as festas, mas ela mesmo não tem nada”.

Existem vários outros tipos de usuários. Tem o que só postam coisas de igreja, quem só posta putaria. Os que gostam de política e são contra ou a favor do partido do governo atual, enfim, cada um tem o seu perfil nas redes e faz dela o proveito que achar melhor.

Mas o que quero realmente dizer aqui é: qual é o limite disso tudo. A que ponto chegamos de largar de fazer coisas realmente úteis para ficar de frente para um tablet, celular ou computador para expor a sua vida ou saber da vida alheia? Um vocalista de uma banda mundialmente conhecida que esteve aqui no Brasil recentemente disse que o brasileiro é engraçado pois paga caro para ver um show dele e acompanha tudo pelo celular, fica só fazendo selfie, filmando ou fotografando ao invés de acompanhar o que realmente importa que é a banda que está ali a poucos metros de distância.

Semana passada eu estava ouvindo um programa na rádio quando os apresentadores estavam fazendo propaganda de um aplicativo de cantadas virtuais. Espera aí pessoal, desde quando você paquera alguém através de mensagens do celular? Que coisa mais sem nexo é isso. Por isso que os adolescentes de hoje não conseguem trocar meia dúzia de palavras com o sexo oposto, pois não tem coragem ou simplesmente não sabem conversar. Se tirar o telefone deles parece que tiraram noventa por cento do seu cérebro.

A idéia de que a informação está ao alcance de todos necessita de uma vírgula logo após a palavra todos. O certo seria dizer que a informação está ao alcance de todos, desde que a pessoa pesquise ou leia sobre ela. Não adianta ter um GOOGLE para procurar somente fofocas, baladas e receitas de bolo. E também não adianta fazer um control c, control v, tem que ler o que está escrito ali, fazer um resumo ao menos mental e entender, senão não adianta. Copiar e colar é coisa de criança que está fazendo o primário.

Não resta a menor dúvida que as redes sociais servem para manter contato com amigos distantes, ver o que acontece na vida das pessoas que conhecemos, que somos fãs, ver o que está rolando de bom nessa imensa bola azul onde moramos, o que está na moda, que som está rolando, que lugar paradisíaco é bom para você ir, como fazer uma comida diferente, serve literalmente para tudo hoje em dia. Mas serve para te deixar escravo do mundo virtual e fazer de você um completo babaca.

Nada que vicia é bom. Não tenho nada contra as redes sociais, pelo contrário, sou usuário das principais e acho que elas são muito úteis, mas “beba com moderação dessa fonte” não se embriague nesse mar de informações que lhes são despejadas a cada minuto, não faça da internet um livro aberto da sua vida, lembre-se que não queremos saber de tudo que acontece com você, saiba separar as coisas que podem e as que não merecem ser divulgadas com seus seguidores.

Não gaste todo seu tempo com a internet, tire um tempo para ler um livro, namorar pessoalmente e não virtualmente, praticar um esporte, ir para o bar com os amigos sem precisar conversar pelo whatsapp, enfim, viva a vida “ao vivo” e não apenas virtualmente. Experimente e você vai ver que fora do computador tem uma vida real que vale muito mais a pena do que esse mundo de fantasias que você vê pela tela do seu iphone.

Não menospreze nunca o poder que a internet tem, ela tanto pode te levar ao mais alto grau de conhecimento, como também pode fazer de você um completo retardado...

Fica a dica...

 

 

 

 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Você é VIP?



Nesta semana eu estava assistindo um programa onde uma apresentadora estava ao lado de pessoas que supostamente entende de todos os tipos de assunto e durante uma hora eles discutiram de tudo um pouco. Todos eram pessoas famosas e cada um emitia sua opinião, davam risadas, pediam a participação dos espectadores via redes sociais, mas no final prevalecia o que eles falavam. Aliás, não vi nenhum deles discutindo o que foi enviado pelas pessoas que estavam do outro lado da tela.
O programa tratava de assuntos do nosso cotidiano, e não exigia preparo intelectual algum, ou seja, qualquer um, inclusive você poderia sentar ali naquela cadeira. Até que chegou no último bloco, e a apresentadora colocou como tema o seguinte fato que correu o mundo inteiro alguns dias atrás: um segurança barrou um cantor em uma festa fazendo ele dar meia volta e ir embora para outro lugar.
Até aí, normal, o “problema” segundo essa apresentadora é que esse cantor é ninguém menos do que “Sir Paul McCartney”, que segundo essa infeliz ele era integrante da banda mais famosa que Jesus Cristo e que isso era uma piada, que jamais poderiam ter feito isso com ele, que o segurança não deveria conhecê-lo, porque senão nunca iria impedir a sua entrada. Enfim, ela colocou o Paul como uma pessoa acima de todas e que sua entrada tinha que ser permitida em qualquer lugar do mundo, sendo ele convidado ou não.
Antes que me xinguem ou teçam qualquer comentário, eu não vou aqui discutir a importância do Paul McCartney no mundo, seja ele musical, espiritual, pessoal, enfim nada, o cara é um ícone, isso não resta a menor dúvida mas vamos devagar com o andor. Vou também mencionar que ele levou na brincadeira, não armou barraco algum e saiu do local com uma fleuma britânica que lhe é peculiar. Ele em momento algum disse a famosa frase babaca: sabe com quem está falando?
O que há de errado em barrar uma pessoa em uma festa com lista de presença e o nome desta pessoa não constava neste rol de ilustres convidados? Aliás, falta de educação é você entrar em um local onde você não foi chamado, isso sim. Não existem pessoas que têm livre acesso a qualquer lugar do mundo. No meu trabalho, por exemplo, só entra quem for convidado ou fez algo por merecer estar ali, e olha que trabalho em um espaço público.
Essa apresentadora humilhou o segurança que impediu a entrada do Paul. Ora, e se o dono desta festa, um Rapper, tinha algum problema pessoal com o ex-Beatle? Se eu faço uma festa, entra quem eu quero, meus inimigos e desafetos querem que se f..., quero que fiquem de fora (me desculpem).
Cara apresentadora, em primeiro lugar, achei infeliz sua fala ao dizer que Paul McCartney era de uma banda mais conhecida do que Jesus Cristo. Desnecessário essa sua comparação e por sinal, de pouca criatividade, ainda mais de uma jornalista como você, que teve o auge de sua carreira na MTV de muitos anos atrás. E, ninguém goza de um prestígio que lhe dê passe livre para entrar em qualquer lugar que almeja, lembre-se que o dinheiro e a fama podem muita coisa, mas não tudo.
Ninguém é obrigado a conhecer todas as pessoas, as quais você chamou de VIP no seu programa. Às vezes uma pessoa é VIP para você e para mim essa pessoa é um bosta (Não é o caso do Paul McCartney). Eu poderia tecer alguns nomes que considero VIP e você não iria saber nem a profissão desta pessoa. Portanto, antes de julgar alguém, se ele agiu certo ou não, saiba o que houve antes para evitar essas gafes suas de rir de uma pessoa a qual você não sabe nem o nome e que estava ali trabalhando e recebendo ordens. Se você é paga pau de pessoa famosa, o problema é seu...
No mundo de hoje não cabe mais esse tipo de comportamento. VIP hoje é qualquer um que paga R$ 10.000,00 (dez mil reais) em um camarote em Jurerê Internacional e está ali ao lado do ator da Globo ou do cantor sertanejo. Essa palavra perdeu seu significado a muito tempo, não cabe mais nos dias atuais. Aliás, dependendo do lugar não é nem bom ser VIP, que digam os “famosos” presos da “Operação Lavajato”, todos eles VIP’s no presídio onde estão!
Participantes de mesas redondas, vamos com calma, antes de abrirem a boca, saibam o que estão falando. Se quiserem uma opinião, aprendam com os mestres do Manhattan Connection, que além de saberem o que estão falando sabem fazer humor, jornalismo e informação da melhor forma possível. Algo prazeroso de se ver, e olha que é domingo às 23:00 horas, quando todo mundo quer dormir cedo para acordar para trabalhar na segunda-feira...





quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Em Busca do Prazer Proibido



O que move o mundo? Os movimentos de Rotação e Translação? Não, lógico que não, o que move este Planeta Azul onde nós habitamos é uma coisa só: PRAZER! Prazer de ser rico, o prazer sexual, o prazer de ver um sorriso, o prazer de praticar esportes, o prazer de comer, o prazer de viajar, enfim, tudo que fazemos é em busca do prazer, independente do estilo de vida que cada um elegeu para si.
Hoje recebi via whatsapp, é claro, um vídeo que foi enviado por um colega de trabalho onde um médico altamente gabaritado, com um currículo de dar inveja a qualquer simples mortal, estava falando sobre refrigerante. Logicamente ele foi contra, falou e demonstrou os riscos que esse singelo produto oferece e terminou sonhando que seja crime a venda desse produto no mundo inteiro.
Não vou discutir o que ele disse, porque em primeiro lugar acho que ele está certo, e segundo porque não tenho capacidade intelectual para dizer algo contrário, pois não sou formado em medicina e nunca estudei sobre esse assunto. Mas vamos falar sobre o mesmo assunto de uma forma diferente, a forma do prazer.
Eu tomo refrigerante há mais ou menos 36 anos. Meus exames nunca deram alterados. Sou saudável, pratico esportes, meus exames estão todos OK, tenho todos os dentes na boca, sem problemas de cárie e nunca usei nem aparelho. Sou uma exceção à regra dos amantes dessa bebida doce? Acho que não. Como disse não sou formado em medicina e não sei explicar o porque que a Coca-Cola nunca me causou um estrago maior.
Mas sem entrar no mérito da saúde, queria dizer o seguinte: vale a pena abrir mão de tudo em busca da vida eterna? Vale a pena deixar de buscar o prazer para viver sei lá, 5, 10, 15 anos a mais se não temos o poder de decidir que dia iremos ao encontro do Pai? Uma vida saudável é o que todos almejam, mas será que temos que pagar qualquer preço ou podemos dar uma pechinchada?
Acho que no mundo do Google em que vivemos hoje, todos sabem o que é bom e o que é ruim para a saúde. Açúcar, gordura, álcool, carne vermelha, sal, isso apenas para ficar no nosso consumo diário e que é legal, não vou nem falar de substâncias nocivas e ilegais. O problema é que tudo o que eu citei acima é muito bom e está presente em quase tudo que você come ou bebe. Seja no café da manhã em casa, no almoço na rua, no lanche da tarde, e no furto à geladeira na madrugada.
E até que ponto vale a pena abrir mão desse prazer para viver uma vida teoricamente mais saudável? E digo teoricamente porque como tudo que é “proibido” e vivo muito bem e com saúde. Eu prefiro encarar as possíveis consequências do uso desses alimentos quando eu for mais velho do que me abster deles e correr o risco de virar a esquina da minha casa e ser atropelado por um caminhão da SKOL e morrer “fora de hora”.
O que me leva a acreditar que comendo só o que é recomendável por médicos e nutricionistas eu viverei por 90 anos? E se eu chegar lá vai valer a pena ver que deixei de fazer muita coisa porque me falaram que era o certo? E pior ainda, como eu reagiria vendo ao meu lado o meu melhor amigo que passou a vida inteiro comendo de tudo, bebendo litros de Coca-Cola e chegou lá tão bem quanto eu?
Não sou uma pessoa alucinada em comida. Para mim não é prazer comer igual um louco. Gosto muito de doce, chocolate, Coca-Cola, enfim, tudo que é considerado uma bomba. Mas, sinceramente não abro mão dessa alimentação, pois não vim para este mundo com uma agenda marcando o dia que vou embarcar desta para melhor. Se eu me privar de pequenas coisas como essa, posso chegar ao fim da minha vida e me arrepender que deixei de comer inúmeros sanduíches com refrigerante quando eu estava com vontade.
Acredito que a vida é a busca incessante pelo prazer como eu disse no início. Óbvio que não devemos pagar um preço caro, mas também não podemos ser pão duro com o que vale a pena. Não sou ignorante para querer jogar tudo para o alto, ir contra recomendações médicas, mas daí a viver uma vida regrada sem saber quando será o fim eu não sou a favor.
Lógico que nos dias atuais, com a geração das academias que existe, com o consumo de diversos suplementos, a busca da barriga trincada, do bíceps perfeito, muitos não coadunam com a minha ideia, e acreditam que o caminho para o nirvana seja essa mesmo, a dieta equilibrada, o consumo de produtos naturais, nada de açúcar, zero álcool, enfim, muita regra, muito stress, pra pouca compensação. Mas essa é a corrida para o prazer deles, o prazer de receber um elogio e ser feliz com o suposto corpo perfeito.
Não vou condenar ninguém aqui, nem quero dizer o que é certo e o que é errado, só o que não concordo é pessoas quererem ditar o meu modo de vida. Sou consumidor de refrigerante a minha vida inteira, se isso vai fazer mal ou não eu vou saber no futuro, mas hoje com quase quarenta anos acho que não vale a pena abrir mãos dos prazeres que a vida me oferece em busca de uma barriga trincada ou de supostos benefícios.
Não acho que tornar a venda de refrigerante como algo criminoso seja a saída ideal para o mundo hoje. Já temos tantos crimes idiotas que esse seria mais um. E proibir é uma palavra muito forte em um mundo potencialmente tendencioso a abraçar o capitalismo com uma liberdade para o cidadão decidir o que fazer de sua vida durante sua passagem aqui no Planeta Terra.
Saúde é o que temos de mais importante nesta vida, mas na minha opinião a saúde mental também tem que estar em dia, e se a sua busca por prazer passa em cometer alguns pecados como comer alimentos “proibidos” não pense duas vezes, afinal ninguém sabe o dia de amanhã.
E, por favor, não me venha falar que Coca-Cola desentope pia, tira ferrugem e outras coisas mais porque isso não faz a menor diferença pra mim. O que eu posso dizer que prazer para mim é fazer o que eu quero, do jeito que eu quero, sem ninguém para conduzir minha vida. Se com minhas atitudes eu não prejudico ninguém, isso é o que importa. Fica a dica...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Cultura: histórica e realidade



Ontem eu estava estudando a Constituição Federal (voltei a estudar para concurso) e ao chegar no artigo 220  onde diz exatamente que a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição, eu fiquei imaginando a beleza que é o nosso Brasil. Liberdade de expressão garantido na Lei Máxima de uma Nação.
E mais adiante o texto constitucional diz que compete à Lei Federal estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no artigo 221.
Este tal artigo 221 tem quatro incisos onde em três deles há uma necessidade absurda de citar a palavra cultura como algo a ser perseguido e levado a sério por toda a população brasileira. Juntando os dois artigos o legislador diz que temos que nos defender de tudo que é contra nossa cultura e ainda temos que valorizar tudo que é do brasileiro, da nossa raiz, canarinho, enfim tem que valorizar o que é de casa.
Acho isso ridículo, pois acho que temos que valorizar o que é bom não importa de vem da Tailândia ou de Amsterdã (Heineken), mas tudo bem. Vamos ao que interessa.
Na minha opinião, se uma pessoa ou uma família quiser se defender de algo na TV ou no rádio ela tem duas opções: ou ela aperta um pequeno botão onde geralmente está escrito liga/desliga ou ela aperta outro onde se lê canal, sendo que esta tecla costuma ser mais complexa um pouco pois costuma vir acompanhada de duas setas apontando para lados opostos.
O problema é que o Estado se envolve muito na nossa vida. Às vezes vivemos em uma falsa democracia, em um falso capitalismo onde o governo quer impor tudo que lhe interessa na vida dos seus habitantes, fazendo de nós perfeitos bonecos moldados que só recebem informação processada, nos proibindo de termos liberdade de pensamento e escolha.
Se a ideia de quem fez a Lei era valorizar a cultura nacional, então vamos fazer um programa só de sacanagem. Brasileiro adora uma sacanagem. É da nossa cultura! Adoramos ver bunda, peito, mulheres nuas no carnaval nas páginas das revistas, nos cinemas, nos sites, adoramos conversas com nudes no whatsapp, enfim, brasileiro vive Sodoma e Gomorra 24 horas por dia. Temos que ter programação baseada só nisso no rádio e na TV.
Vamos fazer também um programa de políticos envolvidos em corrupção. Afinal, a Presidente disse que isso vem desde quando Pedro Álvares Cabral aqui chegou, é cultural. O partido que está no poder disse que Caixa 2 é comum aqui na Terra Brasilis. Isso é da cultura do brasileiro! Fizeram da maior empresa estatal um cabide de propinas. Vamos fazer um canal onde só serão divulgadas as corrupções dos políticos. Seria notícia nova toda hora.
Outro programa que iria bombar seria um de como tirar vantagens no dia a dia! Ou como ser um espertão! Porque aqui nego é doutor em tirar vantagem de tudo. Outro dia no shopping vi um cidadão com um filho de mais ou menos três anos de idade no colo dele e ele “usou” o seu descendente para furar uma fila onde havia apenas cinco pessoas para trocar um cupom e concorrer a um carro. E o detalhe é que a esposa dele estava logo atrás com o carrinho do menino.
É da cultura do brasileiro essa malandragem! Passar pelo sinal vermelho, não devolver troco que veio a mais, falsificar carteira de estudante, comprar votos, apresentar atestado falso, e mais milhares de outras pequenas atitudes. Aqui se dá carteirada sem ter carteira, ou você nunca escutou um famoso “sabe com quem você está falando?” ou “Sabe quem é meu pai?”
O que eu quero dizer é que aqui no nosso País vivemos em uma falsa democracia, ainda mais nos últimos 13(credo!) anos. Deveríamos nos preocupar com coisas realmente sérias e importantes, e não querer mandar no controle remoto de uma pessoa que hoje em dia tem mais de 400 opções de canais para assistir na TV a cabo.
Em um País como dimensões continentais como o nosso onde a cultura do Nordeste é totalmente diferente da cultura do Sul, não se pode querer impor que o povo tenha que engolir aquilo que não lhe diz respeito ou não te interessa. Se quer saber sobre cultura, leia um livro, pesquise, vá atrás do conhecimento, assista a um programa específico, simples assim, não precisa impor nada. Adquirir conhecimento é pessoal, não pode ser forçado. Não é para isso que servem as viagens? Conhecer a cultura de outro país/Estado/cidade?
Nossa Constituição Federal possui muitos artigos importantes e relevantes, mas tem alguns que deixam a desejar... Ou você acha que dizer que o Colégio D. Pedro II no Rio de Janeiro será mantido na órbita federal é algo a ser citado em uma Carta Magna?
Aliás fica aqui uma dica para todo mundo ler nossa Constituição, ela nos garante muitos direitos. Nem só 50 tons de cinza deve alimentar nossa cabeça pensante!